Redação exige treino freqüente
Escrever bem exige treino. Ler ajuda, e muito, mas não basta para fazer bons textos. E, nos vestibulares, isso pode ser decisivo para a aprovação.
Na Unesp, por exemplo, a redação representa 20% da nota final do candidato.O estudante que quiser garantir pontos extras deve aproveitar os cerca de seis meses que o separam de alguns dos principais vestibulares do país e dedicar parte do seu tempo para escrever. O principal, dizem especialistas ouvidos pela Folha, é treinar com freqüência. O número de redações sugerido por eles varia de um a três por semana, mas todos são unânimes: só se aprende a escrever escrevendo.Estruturar os tópicos e elaborar um rascunho antes da versão definitiva é o mais recomendável. Depois de pronto, pedir a colegas ou parentes que leiam o texto pode ser útil, mas, sempre que puder, peça a orientação de professores de português. "Só um profissional que domine o assunto poderá apontar corretamente as falhas. E isso é fundamental para não ficar reproduzindo os mesmos erros", ressalva Maria Aparecida Custódio, professora do laboratório de redação do Curso e Colégio Objetivo.Quanto mais leitura e bagagem cultural o estudante tiver, mais referenciais usará no texto. "A alusão a um trecho de música ou romance --desde que pertinente ao contexto-- pode enriquecer o texto."A falta de vocabulário é uma das coisas que mais preocupam o estudante John Wilder, 18, na hora de escrever. "Faltam palavras", conta. Para compensar, ele tem lido as obras cobradas nos vestibulares e se informado por meio de TV e de internet.
Prova: A proposta da prova deve sempre ser seguida. "A fuga do tema zera a nota", ressalta Maria Thereza Fraga Rocco, vice-diretora da Fuvest, que elabora o vestibular da USP.Anibal Telles, professor de redação do Anglo, afirma que o candidato não deve ter medo de colocar sua opinião. "Ele deve tomar partido, sem deixar de sustentar seu ponto de vista nem sair do tema."A primeira fase da Unicamp acontece no dia 18 de novembro, com uma prova que inclui a redação e 12 questões dissertativas. Há um único tema e pode-se optar entre dissertação, narração ou carta. "A principal característica é ser uma avaliação de leitura e escrita", explica Meirelen Salviano Almeida, coordenadora da redação.É fornecida uma coletânea de trechos de revistas, jornais e até tiras de quadrinhos, que deve ser usada para basear a construção do texto.
Na Fuvest, a redação é feita na segunda fase. Na Unesp, a dissertação faz parte da prova de português, que tem ainda dez questões.A correção das redações nos principais vestibulares costuma ser feita, em geral, por dois examinadores --um não sabe quem é o outro. Se houver grande discrepância entre as notas, um terceiro corrige.
Fonte: Folha http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u19552.shtml
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